Individuais
Que coso? Carne quebrada!
Silene Fiuza
Colagens e naturezas-mortas aproximam imagens do corpo, gestos de reconstrução e reflexões sobre a efemeridade da vida. A mostra reúne trabalhos recentes de Silene Fiuza, com destaque para sua produção a partir da pandemia.
Texto curatorial
Reconstruir é um gesto presente na vida e obra de Silene Fiuza. Rasga imagens que retratam com bastante verossimilhança, a verdade crua dos nossos corpos despelados e, a partir desses, remonta-os sob novas formas, criando narrativas sobre a efemeridade da vida. Na medicina, para se produzir uma única imagem tomográfica, junta-se de 800 à 1.500 imagens para criar uma única, que é síntese de um corpo despedaçado, de um corpo sem nome e em busca de cura. A arte permite que sínteses também emerjam de gestos como este feito pela tecnologia computadorizada.
As obras selecionadas para esta mostra na Galeria Acaiaca apresentam produções realizadas pela artista nos últimos anos, especialmente a partir do início da pandemia, onde a utilização de colagens torna-se parte indissociável da pesquisa da artista.
Nesta produção recente, destaca-se a série de naturezas-mortas realizadas durante a pandemia. Considerada outrora dentre os temas da pintura, uma arte menor, só encontra protagonismo quando a arte acadêmica do século XIX e, posteriormente, a moderna se apoderam da realidade e da simbologia de vasos, flores, frutas, mesas, para falar de temas profundos. Talvez Pedro Alexandrino – artista acadêmico brasileiro do século XIX – com sua mimetização perfeita do brilho dos metais, fora um dos mais líricos cabeças. Giorgio Morandi fez do tema sua vida.
Imagens e encontros
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